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Amieira - Passado, Presente e Futuro

Pretendeu-se recriar uma feira em fins do século XIV e acabou por se assistir a uma memorável lição de como animar adequadamente um espaço votado à mais elementar insensibilidade trapalhona do IPPAR.

A Ordem da Cavalaria do Sagrado Portugal já não precisa de apresentar credenciais da sua competência nas áreas do conhecimento histórico e da recriação da nossa memória nacional – treze anos de labor e empenho em singular crescendo falam por si com autoridade que baste. Há, no entanto, uma entidade em Portugal que parece apostada, por desígnios insondáveis e por uma inenarrável mediocridade de vistas, em sabotar a revitalização e a valorização do património que, supostamente, deveria defender.

Amieira do Tejo, povoação da interioridade profunda, sofrendo as agruras de tal ónus como, por exemplo, a desertificação humana galopante, tem um magnífico castelo, cercado de um sossego de écloga e de uma paisagem tão repousante quanto formosa. Todavia, quando se franqueia a sua robusta porta de madeira e se penetra na sua altíssima torre de menagem, o desencanto e a raiva inundam inevitavelmente todos os que amam o torrão português e as suas relíquias de antanho.

- Uma paisagem do passado nos nossos dias -

- Um momento de jogo de Gamão -

Uma monstruosa cacofonia de vidro compartimenta, esfacela, deforma irremediavelmente o espaço castrejo. A rude atalaia é agora um execrável escritório chefiado por um funcionário mal-encarado que se julga o dono do espaço numa arrogância de senhor feudal.
A animação do castelo foi rotundamente negada pelo IPPAR de Évora e só com uma súplica de penitente o Senhor Presidente da Junta de Freguesia local logrou obter autorização para se realizar o evento no largo fronteiro ao monumento, porque até aí tal organismo queria proibir a celebração fosse do que fosse!
- Os jograis na sua farra com o público -

Para se ter uma noção ainda mais profunda da determinação do referido organismo em furtar ao serviço comunitário a plena e legítima fruição do seu monumento, foi inclusivamente negada autorização para se dependurarem das ameias duas insignificantes faixas de pano que dessem um ar mais festivo ao castelo!!! – Parece que, para o IPPAR, os castelos são bibelots que pode desfigurar a seu bel-prazer e furtar ao mais elementar e legítimo serviço das comunidades locais e do povo português em geral! Nem um alcaide-mor era tão cioso e avaro como estes funcionários de gabinete suportados pelo erário público!... Será bom que a nova direcção central do IPPAR e a nova equipa do Ministério da Cultura ponham ordem e siso neste ridículo e escandaloso estado de coisas! – É que já estamos fartos!

Apesar das contrariedades narradas, as bancas de feira foram erguidas e ocupadas por artesãos e vendedores dos bons produtos locais – licores, queijos, bordados, barros, brinquedos de madeira. Uma enorme tenda árabe providenciava exotismos de jóias, alfaias de mesa e outros requintes faustosos dum oriente tão próximo que nem reparamos. Duas coloridas tendas de campanha da Ordem compunham um espaço em direcção ao Passado.

- Artesãos da região estiveram presentes

Música, malabarismo e outras joglarias pervadiram o recinto, animando o público que, apesar do tempo chuvoso, muito bem enquadrou o evento. No plácido decorrer das horas, aqui uma dama bordava um favor para o seu amado; ali, paciente e tranquila, uma outra tecia um cordão para ornar talvez a beleza singela de um vestido; frente a frente, uma outra senhora e um jovem cavaleiro, digladiavam-se cortesmente numa pacata partida de gamão; mais além, a sólida malha de uma loriga crescia paulatinamente sob as mãos hábeis de um artesão, sob o olhar e as perguntas curiosas de um amplo círculo de visitantes.

Na amplitude do terreiro um jogo da pela entreteve, num saudável convívio, recriadores e público, demonstrando como ambos podem viver, lado a lado, a encantadora riqueza da História. Um cavaleiro em perponto mostrava e explicava características e funções de um bacinete de camal, de achas e de espadas num museu vivo onde decididamente se aprende sem se notar. Vários combates, calorosa e garbosamente disputados, demonstravam, na prática, a eficácia de tais aprestos bélicos.

- Durante os combates -

- O contacto com o público e explicação -

Ensinar sem pruridos academicamente inconsequentes, divertir, recriar momentos pretéritos numa perspectiva sã de valorização patrimonial, eis mais uma missão cumprida, com rigor e seriedade, pela Ordem da Cavalaria do Sagrado Portugal! E a época está só a começar